Juros e risco de enchente pesam na decisão de compra de imóvel, mostra pesquisa do DataZAP

Decisão de compra de imóvel: juros pesam e clima entra

Antes de assinar um financiamento, você olha o valor da parcela. E antes de escolher o bairro, cada vez mais gente olha o mapa de alagamentos. Uma pesquisa do DataZAP mostra que, na decisão de compra de imóvel, o custo do crédito ainda é o maior filtro, mas o clima passou a ocupar um lugar de destaque na escolha da região.

O levantamento Moradia do Amanhã ouviu 673 usuários dos portais OLX, ZAP e Viva Real entre 19 de agosto e 18 de setembro de 2026. Vale lembrar que se trata de pessoas que já pesquisam imóveis online, o que não representa toda a população.

Os números da pesquisa

Indicador Resultado
Juros do contrato interferem fortemente na compra 68%
Regras de concessão de crédito 66%
Oscilação da Selic 64%
Intenção de financiar aumentou com o novo modelo de crédito 60%
Risco de enchente é prioridade na escolha da região 84%
Acesso fácil a transporte público 54%
Presença de áreas verdes 51%
Valor mediano do imóvel procurado R$ 238.690,09
Renda domiciliar mensal mediana R$ 5.103,75

Juros, regras de crédito e Selic seguem como principais filtros

O custo do financiamento continua sendo o primeiro obstáculo. Para 68% dos entrevistados, os juros do contrato interferem fortemente na decisão de compra de imóvel. As regras de concessão de crédito vêm logo depois, com 66%, seguidas pela oscilação da Selic, citada por 64%. Ou seja, não basta a taxa ser atraente. Você também precisa passar na análise de crédito, e a expectativa sobre os juros pesa na hora de fechar ou esperar.

Novo modelo de crédito aumenta a disposição de financiar

Entre os participantes, 60% disseram que a intenção de contratar financiamento aumentou com o novo modelo de crédito imobiliário. Para 34%, a disposição ficou igual, e 7% relataram redução.

O avanço foi maior entre os mais jovens. Nas gerações Z e Y, 65% afirmaram ter mais interesse em financiar, contra 55% entre integrantes das gerações X e baby boomers.

O clima passou a pesar mais que o transporte

A grande novidade está na escolha da localização. O receio de enchentes foi citado por 84% como fator prioritário, bem à frente do acesso fácil ao transporte público (54%) e da presença de áreas verdes por perto (51%). Quem busca um imóvel hoje não olha só a distância do trabalho. Olha também se a rua alaga.

Demanda se concentra abaixo de R$ 500 mil

Entre as 401 pessoas que informaram o valor que procuram, a mediana foi de R$ 238.690,09. A divisão por faixa mostra onde está o grosso da procura:

  • Até R$ 199.999: 39%.
  • De R$ 200 mil a R$ 499.999: 43%.
  • De R$ 500 mil a R$ 999.999: 12%.
  • A partir de R$ 1 milhão: 6%.

Entre os mais jovens, a geração Z, 61% procuravam imóveis de até R$ 199 mil.

A renda limita o alcance do crédito

O perfil de quem busca imóvel é de classe média. Metade dos entrevistados pertence à classe C e 31%, à classe B. A renda domiciliar mensal mediana é de R$ 5.103,75, e chega a R$ 5.546,75 quando inclui os rendimentos de outras pessoas que participam da compra.

Em relação à forma de pagamento, o financiamento lidera, com 50%. Os programas sociais aparecem em seguida (30%), depois o pagamento à vista (24%), o consórcio (13%) e a permuta (13%). Como a pergunta permitia mais de uma resposta, a soma passa de 100%.

O que isso muda para você

Se você pretende financiar:

  • Faça a conta da parcela antes de visitar imóveis. Um exemplo com valores hipotéticos: para um imóvel de R$ 238.690, que é a mediana da pesquisa, uma entrada de 20% seria de cerca de R$ 47.700, e o valor financiado ficaria em torno de R$ 190.950. Com renda de R$ 5.103,75, uma parcela limitada a 30% da renda seria de aproximadamente R$ 1.531.
  • Compare as regras de cada banco. Para 66% dos entrevistados, a concessão de crédito pesa tanto quanto a taxa. Peça simulações em mais de uma instituição.
  • Acompanhe a Selic, mas não deixe a decisão só para o dia em que ela cair. Se o imóvel e a parcela cabem no seu orçamento, esperar pode custar mais do que a diferença de taxa.

Se você está escolhendo o bairro:

  • Pesquise o risco de enchente antes de visitar. Consulte os mapas de áreas de risco da prefeitura e da Defesa Civil, converse com moradores e, se possível, visite o local em dia de chuva.
  • Pergunte sobre o andar e a rua. Térreos e ruas em declive costumam sofrer mais com alagamentos.
  • Considere o seguro. Ele pode reduzir o prejuízo de um evento climático, mas as condições variam, então leia a apólice.

Se você é corretor ou incorporador:

  • Prepare respostas sobre drenagem, histórico de alagamentos e proteção do empreendimento. A maioria dos interessados vai perguntar.

Quer acompanhar os próximos levantamentos sobre crédito, comportamento do comprador e preços de imóveis? Continue lendo o Portal de Notícias Web Imóveis e confira os próximos conteúdos do blog.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: O que mais pesa na decisão de compra de imóvel, segundo o DataZAP?

R: Os juros do contrato, citados por 68% dos entrevistados, seguidos pelas regras de concessão de crédito (66%) e pela oscilação da Selic (64%).

P: O novo modelo de crédito imobiliário aumentou o interesse em financiar?

R: Para 60% dos entrevistados, sim. Outros 34% disseram que a disposição ficou igual e 7% relataram redução. O avanço foi maior nas gerações Z e Y (65%).

P: O risco de enchente influencia a escolha do imóvel?

R: Sim. Para 84% dos entrevistados, é prioridade na escolha da região, acima do acesso a transporte público (54%) e de áreas verdes (51%).

P: Qual é o valor mediano dos imóveis procurados?

R: R$ 238.690,09. Cerca de 82% dos entrevistados procuravam imóveis de até R$ 499.999 (39% até R$ 199.999 e 43% entre R$ 200 mil e R$ 499.999).

P: Qual é a renda dos compradores da pesquisa?

R: A renda domiciliar mensal mediana é de R$ 5.103,75, ou R$ 5.546,75 quando se incluem outras pessoas que participam da compra.

Fonte de Referência:

Portas

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