Se você mora em condomínio ou administra um, talvez já tenha notado que a garagem do prédio está mudando. A procura por instalação de carregadores de veículos elétricos em condomínios cresceu 80% no primeiro semestre de 2026, segundo a GreenV, empresa especializada em infraestrutura de recarga. A E-Wolf, outra companhia do setor, projeta uma expansão ainda maior neste ano, de cerca de 200%.
Por que a demanda por carregadores está disparando
O movimento acompanha o crescimento acelerado da frota eletrificada no país. De janeiro a julho de 2026, foram vendidos 271 mil veículos eletrificados no Brasil, um número 21% superior a todo o ano de 2025, quando as vendas somaram 224 mil unidades, segundo a ABVE Data, departamento de estatísticas da Associação Brasileira do Veículo Elétrico.

Essa expansão também pressiona a infraestrutura pública de recarga. Em maio, o país contava com 25 mil pontos públicos e semipúblicos, contra 21 mil três meses antes, um ganho de 4,4 mil novos pontos em cerca de 90 dias, equivalente a um novo ponto a cada 30 minutos.
O tamanho da infraestrutura já instalada em condomínios
Como os pontos de recarga privados não são contabilizados pela ABVE, os dados das próprias empresas do setor ajudam a dimensionar esse mercado. A GreenV tem mais de 15 mil pontos instalados no país, com cerca de 60% (aproximadamente 9 mil) em condomínios residenciais. Já a E-Wolf, que atua desde 2019, informa ter instalado cerca de 20 mil carregadores residenciais e 30 mil carregadores portáteis.
Segundo Rogério Ribeiro, diretor comercial da GreenV, o perfil da demanda também mudou. Antes, os pedidos vinham de moradores pioneiros interessados em uso próprio. Agora, síndicos e administradoras já se planejam para instalar múltiplos carregadores de uma só vez.
O que mudou na legislação de São Paulo
Se você mora em São Paulo, vale entender uma mudança importante que ajudou a destravar esse mercado. Em fevereiro, uma lei estadual (Lei 18.403/2026) garantiu ao morador o direito de instalar um carregador em vaga privativa sem depender de aprovação em assembleia, desde que o custo seja assumido pelo próprio condômino.
Um mês depois, em março, o Corpo de Bombeiros publicou a Instrução Técnica 41 (IT-41), estabelecendo parâmetros mínimos de segurança para esse tipo de instalação em garagens. Confira as principais exigências:
- Integração do carregador aos sistemas de alarme e combate a incêndio do prédio
- Dispositivos de desligamento de emergência em caso de falha elétrica
- Distância mínima em relação às rotas de fuga
- Alimentação elétrica vinda do quadro geral do edifício, não mais do relógio individual do apartamento
- Instalação de novos cabeamentos pelas áreas comuns
- Laudo técnico prévio, atestando a capacidade elétrica do prédio e o número máximo de veículos carregando ao mesmo tempo
Em nível nacional, ainda não existe uma legislação específica sobre o tema. Cada município ou estado vem criando suas próprias regras, o que gera insegurança jurídica em condomínios de outros estados, ainda dependentes de aprovação em assembleia.
Vaga privativa ou sistema coletivo: qual escolher
Se o seu condomínio está avaliando essa instalação, o primeiro ponto é entender que o modelo depende do tipo de vaga disponível:
- Vaga privativa e fixa, mais comum em empreendimentos de alto padrão: o próprio morador pode instalar um carregador ligado ao seu medidor individual, mas assume o custo total da instalação e da adequação à IT-41
- Vaga rotativa, sorteada periodicamente: a solução tende a ser coletiva, com uma ou mais estações instaladas em área comum, usadas por reserva e cobradas por consumo
No modelo coletivo, o custo costuma ser absorvido por todos os condôminos, mesmo os que não têm veículo elétrico, seguindo a mesma lógica de outras áreas comuns, como academia ou piscina.
Carregador também pode virar fonte de receita para o condomínio
Um ponto interessante para quem administra um condomínio é que essa infraestrutura pode gerar receita extra. Segundo o síndico profissional João Xavier, da Atma Consultoria Imobiliária, em prédios que ele administra em Moema, Vila Olímpia e avenida Paulista, a empresa fornecedora cobra R$ 2,20 por quilowatt-hora do morador e repassa R$ 1 ao condomínio para custear a conta de energia gerada pelo uso coletivo.
Quanto custa instalar um carregador de carro elétrico
Se você está avaliando os custos envolvidos, os valores variam bastante conforme o modelo:
| Tipo de instalação | Custo estimado |
|---|---|
| Instalação individual simples | A partir de R$ 3 mil |
| Instalação individual (GreenV) | R$ 3.800 a R$ 15 mil |
| Sistema coletivo por condomínio | R$ 40 mil a R$ 60 mil |
Antes de qualquer instalação, o primeiro passo é avaliar se a estrutura elétrica do prédio suporta a nova demanda. Isso exige contratar um profissional para analisar fiação, bitola dos cabos e a carga disponível pela concessionária, emitindo uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ao final da avaliação.
O que fazer se você administra um condomínio
Se você é síndico ou faz parte do conselho de um condomínio, alguns passos ajudam a organizar essa demanda antes que ela vire um problema:
- Contrate um profissional para avaliar a capacidade elétrica do prédio antes de aprovar qualquer projeto
- Defina com clareza se o modelo será por vaga privativa individual ou sistema coletivo, considerando o tipo de vaga predominante no condomínio
- Verifique a legislação municipal e estadual aplicável, já que as regras ainda variam bastante fora de São Paulo
- Avalie parcerias com empresas que oferecem cobrança por uso, o que pode gerar receita extra para o condomínio sem custo direto aos demais moradores
- Estabeleça regras claras de uso das vagas de recarga, incluindo penalidades para veículos que ocupem o espaço sem estar carregando
Segundo Xavier, a tendência é clara: condomínios que não se adequarem a essa demanda tendem a perder valor de mercado ao longo do tempo, à medida que mais moradores optam por veículos elétricos.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Um morador pode instalar um carregador de carro elétrico sem aprovação da assembleia?
R: Em São Paulo, sim, desde que a vaga seja privativa e fixa, vinculada à escritura do imóvel, conforme a Lei 18.403/2026. Vagas rotativas ainda dependem de aprovação em assembleia.
P: Quanto custa instalar um carregador de carro elétrico em condomínio?
R: Uma instalação individual simples custa a partir de R$ 3 mil, podendo chegar a R$ 15 mil dependendo da distância até o quadro de energia. Projetos coletivos para o condomínio variam de R$ 40 mil a R$ 60 mil.
P: O que é a IT-41 do Corpo de Bombeiros de São Paulo?
R: É a Instrução Técnica que estabelece parâmetros mínimos de segurança para instalação de carregadores de veículos elétricos em garagens, incluindo integração com sistemas de incêndio e alimentação pelo quadro geral do prédio.
P: A instalação de carregadores pode gerar receita para o condomínio?
R: Sim. Em modelos coletivos, algumas empresas cobram do morador pelo uso e repassam parte do valor ao condomínio, ajudando a custear a energia consumida.




