MCMV sustenta alta de 5,4% nas vendas de imóveis novos no semestre

MCMV sustenta alta de 5,4% nas vendas de imóveis no semestre

Se você acompanha o mercado imobiliário brasileiro, os números do primeiro semestre de 2026 confirmam o protagonismo do Minha Casa, Minha Vida no setor. O país vendeu 226.536 imóveis residenciais novos no período, alta de 5,4% frente às 214.910 unidades comercializadas no mesmo intervalo de 2025. O programa respondeu por 113.988 dessas vendas, ou 50,3% do total, segundo dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), em estudo elaborado pela Brain Inteligência Estratégica.

O Brasil de duas velocidades

Os números do semestre deixam clara a divisão do mercado em dois ritmos bem distintos. Enquanto o MCMV cresceu 15,5% nas vendas, somando 113.988 unidades, o segmento de médio e alto padrão recuou 3,2%, com 112.548 unidades vendidas.

Segmento Vendas 1S26 Variação Participação
Minha Casa, Minha Vida 113.988 +15,5% 50,3%
Médio e alto padrão 112.548 -3,2% 49,7%
Total geral 226.536 +5,4% 100%

O avanço ocorreu mesmo em meio a juros elevados. A Selic estava em 14,25% ao ano no fim de junho, patamar que, segundo o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, pesa sobre o crédito imobiliário e limita a capacidade de compra das famílias. Em reunião realizada em setembro, o Copom reduziu a taxa para 14%.

O programa também lidera os lançamentos

Se você está de olho em onde as incorporadoras estão apostando, os lançamentos confirmam essa tendência. No segundo trimestre, foram lançadas 62.129 unidades dentro do MCMV, contra 45.032 dos demais padrões. O programa respondeu por 58% dos lançamentos residenciais do país, a maior participação da série histórica iniciada em 2019, ante 50% no primeiro trimestre.

Segundo Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, ainda há espaço para essa participação crescer, podendo chegar a 60% ou até 65% dos lançamentos nos próximos períodos.

Por que o valor médio dos imóveis vendidos caiu

Se você notou uma queda expressiva no ticket médio dos imóveis, a explicação está diretamente ligada ao maior peso do MCMV, que tem valores de imóveis mais baixos. O ticket médio dos imóveis vendidos no segundo trimestre chegou a R$ 581,9 mil, recuo de 22,6% frente aos R$ 751.920 do mesmo período de 2025.

Vale destacar que essa queda não significa que os preços dos imóveis caíram individualmente. Significa apenas que mais unidades de valor menor estão sendo vendidas, puxando a média geral para baixo.

O VGV (Valor Geral de Vendas) do segundo trimestre somou R$ 66,2 bilhões, recuo de 5,5% na comparação anual, enquanto o VGL (Valor Geral de Lançamentos) ficou em R$ 62,4 bilhões, queda de 23,1%.

O estoque de imóveis segue relativamente estável

Ao final do segundo trimestre, o país tinha 355.290 imóveis residenciais novos disponíveis para venda, uma redução de 2,1% frente ao trimestre anterior. Apesar dessa leve queda, o número representa alta de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o estoque era de 328.250 unidades.

O crédito tradicional também cresceu no período

Se você está avaliando financiar um imóvel fora do programa, vale saber que o crédito tradicional via SBPE também avançou. As concessões destinadas à aquisição de imóveis chegaram a R$ 67,2 bilhões entre janeiro e junho, alta de 12% sobre os R$ 60,1 bilhões do primeiro semestre de 2025.

Considerando aquisição e construção juntas, o SBPE somou R$ 93,7 bilhões no semestre, 29% acima do ano anterior. Desse total, R$ 26,5 bilhões foram destinados à produção, avanço de 107%.

O perfil de imóvel mais vendido no país

Se você está pensando em qual tipo de imóvel tem mais liquidez atualmente, os apartamentos de dois dormitórios lideram com folga, respondendo por 65,2% das vendas no segundo trimestre. Os imóveis de um dormitório vêm em seguida, com 23,1%, reflexo de mudanças demográficas como o crescimento de pessoas que optam por morar sozinhas.

Onde as vendas mais cresceram

Na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo período do ano passado, todas as regiões do país registraram alta, mas em ritmos diferentes:

Região Crescimento nas vendas
Centro-Oeste +27,7%
Norte +15,0%
Nordeste +13,6%
Sudeste +1,3%
Sul +0,2%

O comportamento dos lançamentos foi diferente: o Nordeste liderou com alta de 24,6%, seguido pelo Centro-Oeste, com 19,1%, enquanto Sul e Norte registraram retrações de 25,1% e 35,2%, respectivamente.

A participação do MCMV nos lançamentos também varia bastante por região: 68% no Norte, 66% no Sudeste, 60% no Nordeste, 52% no Centro-Oeste e apenas 29% no Sul.

Por que os brasileiros estão comprando

Se você quer entender o que move o comprador atual, sair do aluguel segue como a principal motivação, com 37% das respostas, seguida por sair da casa dos pais, com 15%, e buscar mais espaço, com 14%.

A intenção de compra também bateu recorde: 52% dos entrevistados disseram pretender comprar um imóvel nos próximos 24 meses, o maior índice da série histórica do levantamento, três pontos percentuais acima do registrado um ano antes.

O que esses números significam para quem acompanha o setor

Se você trabalha com incorporação, vendas ou investimento imobiliário, alguns pontos práticos merecem atenção diante desse cenário:

  • O MCMV segue como o principal motor do mercado, com espaço projetado para crescer ainda mais nos próximos trimestres
  • A queda no ticket médio reflete mudança de mix de produto, não desvalorização dos imóveis individualmente
  • O Centro-Oeste desponta como a região de maior crescimento nas vendas, um sinal para quem avalia expansão geográfica
  • Imóveis de um e dois dormitórios seguem concentrando a maior demanda, reforçando a tendência de unidades compactas

O cenário atual mostra um mercado imobiliário dividido em dois ritmos bem diferentes, com o crédito subsidiado sustentando o crescimento geral enquanto o segmento de médio e alto padrão aguarda condições de juros mais favoráveis para recuperar fôlego.


FAQ – Perguntas Frequentes

P: Quantos imóveis foram vendidos no Brasil no primeiro semestre de 2026?

R: Foram vendidos 226.536 imóveis residenciais novos, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a CBIC.

P: Por que o ticket médio dos imóveis vendidos caiu tanto?

R: A queda de 22,6% no ticket médio reflete o maior peso do MCMV nas vendas, que tem imóveis de valor mais baixo, e não uma desvalorização dos imóveis individualmente.

P: Qual região do Brasil teve o maior crescimento nas vendas de imóveis?

R: O Centro-Oeste liderou com alta de 27,7% nas vendas na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025.

P: Qual é o principal motivo para os brasileiros comprarem um imóvel atualmente?

R: Sair do aluguel é a motivação mais citada, com 37% das respostas, seguida por sair da casa dos pais, com 15%, e buscar mais espaço, com 14%.

Fonte:

Portas — Recorde do Minha Casa Minha Vida sustenta alta de 5,4% nas vendas de imóveis no semestre —

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