Se você tem entre 14 e 29 anos e sonha com um imóvel só seu, não está sozinho ao sentir que essa conta não fecha tão fácil quanto fechava para seus pais. Uma pesquisa recente mostra que a casa própria segue no radar da geração Z, mas cada vez mais como um projeto de longo prazo, e não como uma forma de fazer o dinheiro render.
O levantamento Retratos do Morar, feito pela Ipsos-Ipec para o QuintoAndar em 2025, aponta que metade dos jovens dessa geração pretende comprar um imóvel nos próximos anos. É o maior percentual entre todas as faixas etárias pesquisadas. O detalhe é que só 14% enxergam essa compra como investimento, o menor índice entre as gerações. Na prática, você quer o imóvel para morar, não para multiplicar patrimônio rápido.
Por que isso importa para quem está começando a vida financeira agora
Se você está nessa fase de organizar as finanças e pensando na casa própria, entender esse movimento ajuda a planejar melhor os próximos passos. Juros altos, entrada elevada e renda que não acompanha o custo dos imóveis empurram esse objetivo para um horizonte mais distante.
O que isso muda para você:
- Reserva de emergência e aplicações líquidas ganham prioridade antes de qualquer financiamento
- O prazo para reunir a entrada tende a ser mais longo do que era há duas décadas
- Aposentadoria e imóvel entram no mesmo planejamento, disputando o mesmo orçamento mensal
Os números que explicam a dificuldade de acesso
Segundo os dados / segundo a Fundação Getulio Vargas, citados na reportagem original, o preço médio real de um apartamento de 105 m² na Grande São Paulo saltou de cerca de R$ 194 mil em 2000 para R$ 353 mil em 2006. Isso representa uma alta superior a 80% em apenas seis anos, num ritmo que a renda das famílias não acompanhou na mesma proporção.
Ainda segundo a fonte, em dezembro de 2025 o Índice FipeZAP registrava preço médio anunciado de R$ 9.600 por metro quadrado no país. Nesse mesmo período, o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas ficava em R$ 3.600. Os dois indicadores medem coisas diferentes, mas juntos mostram o tamanho do esforço para acumular uma entrada compatível com o valor do imóvel.
| Indicador | Valor | Período |
|---|---|---|
| Preço médio de apartamento de 105 m² (Grande SP) | R$ 194 mil → R$ 353 mil | 2000 a 2006 |
| Alta acumulada no período | Mais de 80% | 2000 a 2006 |
| Preço médio do m² no Brasil (Índice FipeZAP) | R$ 9.600 | Dezembro de 2025 |
| Rendimento médio real habitual | R$ 3.600 | Dezembro de 2025 |
| Geração Z com intenção de comprar imóvel | 50% | Pesquisa Retratos do Morar, 2025 |
| Geração Z que vê o imóvel como investimento | 14% | Pesquisa Retratos do Morar, 2025 |
O que muda na prática para o seu planejamento
Na prática, se você faz parte dessa geração, a estratégia mais comum entre os entrevistados na reportagem original é adiar o financiamento e priorizar liquidez. Um dos casos citados é o de um jovem de 26 anos que hoje concentra recursos em reserva de emergência e CDBs, sem projetar a compra da casa própria antes de uma década. Outro entrevistado, de 22 anos, distribui investimentos entre ações, Tesouro Direto e fundos imobiliários com foco em aposentadoria, não na compra imediata de um imóvel.
Essa lógica também aparece nos números da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima em parceria com o Datafolha. O levantamento mostra que 66% da geração Z ainda não começou uma reserva previdenciária, mas pretende iniciar uma em breve, enquanto 12% já poupam com esse objetivo.
Por outro lado, isso não significa que o sonho da casa própria tenha saído do radar. Significa que o caminho até lá passa primeiro por reserva, organização de renda e só depois pelo financiamento, numa ordem diferente da que gerações anteriores seguiam.
Se você está montando o seu planejamento para comprar um imóvel, ou só quer entender como as taxas de juros e o cenário econômico afetam esse objetivo, acompanhe as próximas edições do Portal de Notícias Web Imóveis. É lá que você encontra os próximos capítulos dessa análise sobre crédito, Selic e o mercado imobiliário brasileiro.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: A geração Z desistiu de comprar casa própria?
R: Não. A pesquisa mostra que 50% dos jovens dessa geração ainda pretendem comprar um imóvel, o maior percentual entre todas as gerações analisadas.
P: Por que os jovens não veem o imóvel como investimento?
R: Porque o custo inicial é alto, o financiamento é longo e a liquidez é baixa. Apenas 14% da geração Z considera o imóvel uma opção de investimento.
P: O que a geração Z prioriza antes de comprar um imóvel?
R: Reserva de emergência e aplicações líquidas, como CDBs, Tesouro Direto e fundos imobiliários, costumam vir antes do financiamento no planejamento desses jovens.
P: Quanto subiu o preço dos imóveis em São Paulo nas últimas décadas?
R: Segundo a FGV, o preço médio de um apartamento de 105 m² na Grande São Paulo subiu mais de 80% entre 2000 e 2006.
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