IA que prevê enchentes e vendavais evita R$ 1,6 milhão em perdas para gestora de imóveis

IA que prevê enchentes e vendavais

Se você trabalha com gestão de ativos imobiliários, sabe que eventos climáticos extremos deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental e passaram a representar risco direto de dano físico, interrupção operacional e aumento no custo do seguro. Foi pensando nesse cenário que a Arch Capital, gestora com quase duas décadas de atuação e mais de R$ 6 bilhões em ativos sob gestão, passou a usar inteligência artificial para antecipar o impacto do clima sobre seus empreendimentos.

Como funciona a tecnologia de previsão climática

A ferramenta combina modelos climáticos globais com inteligência artificial para gerar previsões específicas de cada imóvel com até 36 meses de antecedência. Segundo a companhia, essa antecipação permitiu identificar riscos antes que eles afetassem a operação, contribuindo para evitar mais de R$ 1,6 milhão em perdas potenciais ao longo de 2025.

O monitoramento atualmente cobre 14 ativos, entre eles dois edifícios corporativos da Arch em São Paulo (o Rochaverá e o Standard Building) e 12 empreendimentos logísticos da plataforma Golgi, distribuídos por sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

O diferencial da ferramenta não está apenas em prever se uma região terá chuva ou calor acima da média, mas em entender como esse evento climático afeta cada empreendimento específico, considerando localização, infraestrutura, operação e nível de exposição ao risco.

A engenharia por trás da previsão

Segundo Rodrigo Calovini, diretor de Engenharia da Arch, a tecnologia permite não só ampliar a previsibilidade, mas também direcionar investimentos em adaptação, otimizar planos de contingência e apoiar decisões antes que eventos extremos comprometam a operação dos ativos.

A inteligência climática combina modelos físicos de previsão meteorológica com algoritmos de machine learning e redes neurais, integrando dados de modelos internacionais como o ECMWF com informações históricas de estações meteorológicas próximas aos empreendimentos.

A partir dessas previsões, a empresa transforma os dados em planos de ação concretos para cada imóvel, que vão desde medidas operacionais imediatas até investimentos estruturais de longo prazo. Entre as ações estão:

  • Alertas preventivos para eventos climáticos severos
  • Fechamento antecipado de docas em caso de previsão de vendavais
  • Reforços estruturais em coberturas
  • Instalação de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas
  • Adequações pontuais na infraestrutura dos empreendimentos

O caso do Golgi Gravataí, no Rio Grande do Sul

Um exemplo prático da ferramenta em ação aconteceu no Golgi Gravataí, condomínio logístico da plataforma Golgi no Rio Grande do Sul. A análise preditiva identificou risco elevado de vendavais e chuvas intensas na região, considerando fatores como o impacto do El Niño, o histórico recente de eventos extremos no estado, a intensidade prevista das chuvas e a velocidade dos ventos.

Com essa antecipação, a equipe ativou planos de contingência antes que os impactos ocorressem, incluindo a ampliação dos contratos de fornecimento de água e diesel, a inclusão de novos fornecedores e a definição prévia de acordos de nível de serviço. Segundo Calovini, o aluguel de uma cisterna com sistema de cloração também fez parte das medidas adotadas.

O principal ganho, segundo ele, foi o tempo de reação: a equipe conseguiu agir antes que um eventual desabastecimento comprometesse a operação do empreendimento.

O impacto no custo do seguro patrimonial

Além de reduzir riscos operacionais, a inteligência climática passou a influenciar diretamente a estratégia de proteção financeira dos ativos. A Arch apresentou a ferramenta como parte do processo de renovação de sua apólice de seguros patrimoniais, e a combinação entre monitoramento climático, protocolos de contingência e medidas de adaptação contribuiu para uma redução superior a 16% na taxa da apólice.

Vale destacar que a própria empresa reconhece que essa redução não pode ser atribuída exclusivamente à inteligência artificial, já que seguradoras consideram diversos fatores na precificação do risco.

Indicador Valor
Ativos monitorados 14
Área construída monitorada Mais de 744 mil m²
Valor em risco monitorado R$ 1,59 bilhão
Eventos climáticos identificados (2020-2025) 868
Perdas evitadas em 2025 Mais de R$ 1,6 milhão
Redução na apólice de seguro Mais de 16%

O que esse case sinaliza para o mercado imobiliário

Se você atua com gestão patrimonial, incorporação ou seguros no setor imobiliário, esse case mostra um caminho que tende a ganhar espaço nos próximos anos. Alguns pontos práticos valem sua atenção:

  • Ferramentas de previsão climática podem ser incorporadas antes mesmo da aquisição de um terreno, permitindo calcular potenciais custos de adaptação já na análise de retorno esperado do investimento
  • Investir em prevenção climática pode gerar economia direta na apólice de seguro patrimonial, além de reduzir o risco de interrupção operacional
  • A antecipação de eventos climáticos com meses de antecedência permite negociar contratos de fornecimento e logística antes de uma crise se instalar
  • Vale acompanhar se seguradoras e gestoras de fundos imobiliários passam a exigir esse tipo de monitoramento como critério de precificação de risco nos próximos anos

Segundo Calovini, o objetivo por trás dessa estratégia vai além de proteger o patrimônio físico. A tecnologia busca preservar a continuidade das operações dos inquilinos e a resiliência de toda a cadeia logística conectada ao empreendimento.

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FAQ – Perguntas Frquentes

P: Como a inteligência artificial ajuda a proteger imóveis de eventos climáticos?

R: A tecnologia combina modelos climáticos globais com machine learning para prever riscos específicos de cada imóvel com até 36 meses de antecedência, permitindo ações preventivas antes que o evento aconteça.

P: Quanto a Arch Capital economizou usando essa tecnologia?

R: A empresa evitou mais de R$ 1,6 milhão em perdas potenciais em 2025 e conseguiu uma redução superior a 16% na taxa da apólice de seguro patrimonial.

P: Quais tipos de imóveis são monitorados pela ferramenta?

R: O monitoramento cobre edifícios corporativos e empreendimentos logísticos, somando 14 ativos distribuídos em sete estados brasileiros.

P: A tecnologia climática influencia a decisão de comprar um terreno?

R: Sim. A análise passou a ser considerada em decisões de aquisição e desenvolvimento, incorporando potenciais custos de adaptação antes da compra do ativo.

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